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Terreiros dão espaço à voz feminina na luta contra violência contra a mulher

A voz feminina nas religiões de matriz africana ganha mais espaço na luta por direitos com o projeto “Mulheres de Terreiro”, uma iniciativa do Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul e da Subsecretaria de Segurança Pública para Mulheres. A ideia é levar informação às casas de reza, terreiros, ilês e barracões, dando instrumentos para esses espaços de transformação social sejam capazes de orientar e agir em prol das vítimas de violência doméstica.

A agenda do “Mulheres de Terreiro” ainda não está completa, mas a medida em que o projeto é divulgado, casas de reza como a “Ilê Asè Ogun a Tii Osún” no Bairro Estrela Dalva II, abrem as portas para a apresentação de propostas e discussão de temas. Nesta última terça-feira (16), a pauta foi a Lei Maria da Penha e o Ciclo de violência doméstica e familiar.

O projeto surgiu para atender a população de mulheres de forma igualitária, sejam elas negras, lésbicas, bissexuais, travestis ou transsexuais. Segundo a técnica de projetos da subsecretaria de políticas públicas para mulheres, Miriam Pereira, a necessidade veio das especificidades as matrizes, que além de não ser um segmento privilegiado também precisa lidar com a discriminação religiosa.

Na periferia os casos de violência doméstica são muitos, os casos de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero também. Os casos de racismo também são muitos. O que acontece é que a mulher que passou por determinada situação, que apanhou do marido, vem pedir ajuda no terreiro. Aquela pessoa que é LGBT, não importa se lésbica, ou bissexual, o pai ou a mãe toca de casa por não aceitação da orientação sexual e quem abraça é o terreiro. A pessoa que sofre racismo também. O que acontece com essas casas, não sabem para onde mandar, não sabem orientar, não têm a orientação correta do que pode ser feito e é esse o trabalho que nós fazemos”, explica Miriam.

Co-fundadora do Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul e Subsecretária de políticas públicas para promoção de igualdade social, Ana José Alves também acompanha as reuniões do projeto. Ao Lado B, ela reafirma a importância do papel de transformação social nas questões que foram colocadas por Miriam. “Você transforma de que maneira, prevenção, informação, a gente vem trazendo para que diminuam todas as formas de violência e violações aos direitos. O nosso papel principal é compartilhar a informação”.

Filha de santo, Jaide Damião, faz parte do Terreiro de Umbanda Tupinambá no Nova Bahia. Para ela, termos apresentados como a alienação parental, feminicídio e ciclo da violência doméstica já são conhecidos, mas ela acredita que projeto possa melhorar a comunicação dentro da comunidade. “Nós lidamos com pessoas simples que muitas vezes não têm conhecimento, ou da situação que ela mesma passa ou que possa ter um parente, um vizinho ou amigo que venha passando. Até para dar mais orientações de para onde encaminhar essa pessoa”.

Participando pela primeira vez, Marta Gonzales é da casa de reza “Ilê Asè Ogun a Tii Osún”, para ela a reunião serviu principalmente para esclarecer os direitos garantidos por lei a que poucos têm acesso.

Responsável por organizar a agenda das reuniões, Mari Deleon explica que para participar do projeto o único requisito é fazer parte de uma religião de matriz africana. ”O nosso foco são as mulheres, então trabalhamos diretamente com as mães de santo e ela indica uma suplente. A ideia é formar um conselho para a tomada de decisões”.

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