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O “EMPATA A MOITA” NOS CANAVIAIS E NO PANTANAL

Por: Valfrido Medeiros Chaves

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Sábios afirmam que a Bíblia, os ditados e as expressões populares são os grandes depositários da sabedoria humana. Há expressões, algumas aparentemente chulas, mas que seriam dignas de Freud, dado que tais “pérolas” populares definem com exatidão ações e características de personalidades que, freqüentemente, nos envolvem e chateiam. Das expressões que me ocorrem, uma é esta: “Fulano é um empata moita, ele não ocupa a moita e não deixa o outro ocupar”.

Sem dúvida, as ações “empata moitas”, e seus executores não são difíceis de serem notados à nossa volta ou até mesmo… no espelho. Tentaremos aqui bem apontar tal tipo de ação e analisarmos com objetividade suas motivações mais profundas sob o risco de, mal ocupando este espaço, o tempo e a atenção de nosso leitor, nos transformarmos em mais um… “empatador”.

Prá início de conversa, seu acesso é democrático, uma vez que podemos encontrá-lo em quaisquer querências e classes sociais: casa, escola, firma, fazenda, repartição pública, na cidade e no campo, latifúndio e assentamento!

Conheçamos um: numa chácara, o zelador está cuidando de uma espécie frutífera, recém plantada e bem recomendada pelo patrão. Sua ação lhe trará satisfação interna, prestígio junto a quem o incumbiu da tarefa e, tudo correndo bem, poderá saborear, com os seus, os frutos da planta que cuida. Eis que chega, nesse momento, um vizinho, fazendo visita em plena segunda feira e diz: “ah!, eu se fosse Você, não cuidava, pois dá azar! Quando essa planta der frutos, você perde o emprego! Diz que é”. Esta interferência, através do que chamaríamos de um “ mito paralisante”, é uma farsa e tem como objetivo inibir a ação produtiva do outro. Trata-se de uma fala primária, primitiva, com a qual não se pode nem discutir, pois quem a enuncia já tirou sua responsabilidade quando afirmou: “Diz que é”.

Sabe-se que os traços marcantes de quem efetua tal interferência são a improdutividade e a inveja, entidades que não vivem uma sem a outra. A inveja é um sentimento que leva à cobiça paralisante, ou seja, ao desejo sobre o que é do outro, não para possuir ou usar o objeto de cobiça, mas apenas para impedir que o outro o use, ou dele usufrua. Evidentemente, que estou falando do mecanismo da inveja!

No exemplo que demos, o nosso “Segunda-feira”, impactador da potência alheia, seria sem dúvida uma pessoa improdutiva. Não suportando que outro exiba o que ele próprio não se permite ter, ou seja, produtividade, potência, tenta paralisá-lo. A ação invejo-paralisante pode se manifestar de forma evidentemente mais sofisticada, através de justificativas até bem construídas e que, no caso, denominaríamos “racionalizações”.

A racionalização, um conceito psicanalítico, seria qualquer justificativa racional e aparentemente ponderada, mas que tem como objetivo apenas ocultar as verdadeiras motivações da má ação paralisante e castradora, tentando torná-la bem vista ou politicamente correta.

Um bom exemplo veríamos no trabalho dos pantaneiros quando, buscando reencontrar a sustentabilidade econômica da região, promoveram a troca do capim grosseiro e que só o fogo comia, por variedades de gramíneas palatáveis e nutritivas, para os rebanhos e fauna.

Eles têm sido objeto de suspeições levianas e tentativas de impedimentos legais, por estarem “introduzindo variáveis exóticas” no Pantanal, sem que nunca os tais guardiães-paralisantes do “meio ambiente” tenham se dado ao trabalho de, tecnicamente, apontarem como e onde as pastagens melhoradas e que não alimentam os incêndios, impactaram negativamente a qualidade ambiental pantaneira.

O mesmo fenômeno se manifesta face à excelência de nossa agricultura e reflorestamentos, que atendem a demandas mundiais crescentes: seriam “desertos verdes”. Quanto às perspectivas que se abrem para o Brasil e MS com a produção do biocombustível, são tanto mais importantes quanto maiores o preço do petróleo e as conseqüências do efeito estufa.

Diante disso, parece que mais verdes de inveja ficam aqueles que só sabem jogar contra quem tem tutano para enfrentar as adversidades e produzir, gerando empregos, fixando o homem no interior, criando riquezas, atendendo necessidades prementes: alimento e combustíveis verdes.

Evidente que no momento estamos ocupando novos espaços geopolíticos mundiais, o que provoca reações paralisantes e que não são freudianas, são expressões de conflitos de interesses. Agora, as militâncias reacionárias que são facilmente cooptadas para o papel empata-moitas e boicotador do passo histórico que o Brasil está dando, elas são freudianas, sim, pois são movidas por neurose e inveja!

As justificativas ideológicas e pseudo-ambientalistas são meras racionalizações. Ainda bem que o Lula desta vez está do outro lado, se não seria “um deus nos acuda”. Que assim continue!

Valfrido M. Chaves – Psicanalista, Pós-Graduado

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