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Missão Evangélica Caiuá e os desafios da saúde indígena em tempos de COVID-19

A Missão Caiuá tem várias frentes de trabalho com a comunidade indígena, não apenas no Mato Grosso do Sul, mas também em outros Estados Brasileiros como: Roraima e Amazonas. Tem sua sede é em Dourados – MS, onde concentra sua gestão a nível nacional e onde tem uma história de 92 anos de trabalhos ininterruptos com os povos indígenas do Estado do Mato Grosso do Sul.

Na área da saúde a Missão trabalha em duas frentes importantes, de saúde Primária e Secundária.

Convênios Com a SESAI

A primeira frente de trabalho da Missão são os Convênios para atendimento à saúde Básica, com Ações Complementares, que são os atendimentos primários em postos de saúde dentro das aldeias, em parceria com a SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena, e com responsabilidades distintas.

Nessa área de atendimento a Missão trabalha junto ao Ministério da Saúde deste 1999. São vinte e um anos de trabalho. Hoje a Missão detém nove convênios com a SESAI, que atende a nove, dos trinta e quatro Distritos da Saúde indígena (DSEIs). São eles: Alto Rio Purus (AM), Alto Rio Solimões (AM), Vale do Javari (AM), Manaus (AM), Médio Rio Purus (AM), Médio Rio Solimões e Afluentes (AM) Mato Grosso do Sul (MS), Parintins (AM) e Yanomami (RR). Esses Convênios atendem uma população de 274.948 indígenas, numa vasta região de aldeias e floresta tropical, em muitos casos onde o acesso se dá somente por rios ou por via aérea, numa abrangência de 1.465.776,28 Km2.

Tendo como referência o ano de 2019, foram alocados, mediante plano de trabalho aprovado na SESAI, realizado pelos DSEIs, com os CONDISIS e a Conveniada, recursos no valor de R$ 261.997.762,00 (duzentos e sessenta e um milhões, novecentos e noventa e sete mil, setecentos e sessenta dois mil reais) que foram aplicados mensalmente pela conveniada, em Ações Complementares, especificamente em RH, com equipe de funcionários na área de saúde, assistência social, agentes comunitários, administrativo, engenheiros, antropólogos, etc., somando um total de 4.584 colaboradores no atendimento básico dentro das aldeias.

A SESAI/MS, é a responsável direta por toda a saúde indígena, incluindo logística de locomoção dos funcionários, fornecimento de medicamentos, insumos e a manutenção e reforma dos postos de saúde.

HOSPITAL PORTA DA ESPERANÇA

Junto à sede da Missão Caiuá em Dourados, anexo à aldeia Jaguapiru, fica a segunda frente de trabalho da Missão em saúde indígena, que é o Hospital Porta da Esperança, com sessenta anos de atividades, e que atende as aldeias de Dourados e pacientes vindos de outras aldeias do Mato Grosso do Sul.

O Hospital trabalha com 100% de seus atendimentos pelo SUS e, preferencialmente, com a comunidade indígena, uma vez que também atende a outros pacientes que procurarem o hospital.

Os recursos para o Hospital são: R$ 60.125,79 do Governo Federal, R$ 13.428,57 da Secretaria do Estado do MS e R$ 22.000,00 da Prefeitura de Dourados. Mais os incentivos Federais que são INTEGRASUS R$ 2.870,07, IAEPI (Indígena) R$ 70.300,00, IAC 31.818,38 e 100% SUS R$ 15.403,38, somando um total mensal de 215.946,24. Essa é a verba do Hospital.

O déficit mensal do Hospital é em torno de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais). A Missão Caiuá tem lutado junto aos órgãos governamentais para melhorar esses recursos, para um melhor atendimento aos indígenas, e que sejam repassados em dia, pois não são suficientes para a manutenção dos trabalhos prestados, e ainda, quando há o atraso nos repasses, geram despesas com multas, juros e ações trabalhistas, dificultando ainda mais o cumprimento das ações do Hospital. Os recursos recebidos são insuficientes para a manutenção do hospital. As Igrejas mantenedoras e as doações voluntárias têm ajudado o Hospital a se manter de pé.

O Hospital Porta da Esperança integra o programa do Governo para o atendimento da COVID-19 na aldeia em um anexo de seu prédio, com 20 leitos clínicos. Recebeu um respirador mecânico, dia 16 de junho, com o apoio de vereadores, doado através do Secretário Estadual de saúde, Dr. Geraldo Rezende, para as emergências. De acordo com o Administrador interino do Hospital, Eder Mariola, o Governo Federal votou uma verba emergencial no valor R$ 800.173,36, repassada via Prefeitura.

A empresa JBS, a quem a Missão agradece, doou EPI´s, alimentação, medicamentos e mobiliários hospitalares para o enfrentamento da COVID-19, mediante acordo entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Prefeitura, que está ajudando a garantir o atendimento. O Hospital tem recebido ajudas das Igrejas Mantenedoras, igrejas locais, e das entidades: Unigran, UEMS, Hospital Evangélico, Mesa Brasil, Cantina Mato Grosso, Marta Campos e outras Entidades. Foram doados materiais como máscaras, EPIs, alimentação, roupas, etc.

Finalmente, a Missão Evangélica Caiuá segue em perfeita ordem nos seus trabalhos iniciados pelos missionários em 1928, de assistência à Saúde indígena, incansável neste desafio de ter que trabalhar com uma mão e se defender com a outra. Reconhece que trabalha em campos árduos, mas jamais fugirá de sua missão e responsabilidade.

Além da área da saúde a Missão tem outras frentes de trabalho nas aldeias, como Escolas, Ação Social permanente e a tarefa de levar a Palavra de Deus a todos os povos, e continua a sua parceria e o respeito tanto à comunidade indígena e suas demandas, como aos Governos Federal, Estadual e Municipal, no intuito de dar um atendimento humano e eficaz à população indígena em nossa vasta terra brasileira, e sempre dentro de seu lema: “a serviço do índio, para a glória de Deus”.

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