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Elogios a Wagner Moura por filme sobre heróis cubanos

O ator, representante brasileiro no estelar elenco de celebridades latinas de “Wasp Network”, um dos 21 concorrentes ao Leão de Ouro de 2019, relembrou a força poética das lutas revolucionárias de seu continente ao falar sobre o (eletrizante) filme de Olivier Assayas ao 76º Festival de Veneza.

 

Wagner Moura no Festival de Veneza. O ator está no elogiado filme de Olivier Assayas, 'Wasp Network' — Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty ImagesWagner Moura no Festival de Veneza. O ator está no elogiado filme de Olivier Assayas, ‘Wasp Network’ — Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images

Ao lado dele na tela, estão a espanhola Penélope Cruz, o mexicano Gael García Bernal, o argentino Leonardo Sbaraglia e o venezuelano Edgar Ramírez. A produção do filme tem a assinatura de outro brasileiro: o carioca Rodrigo Teixeira e sua RT Features. A informação é do Gshow.

A trama é inspirada pelo livro “Os últimos soldados da Guerra Fria”, do escritor mineiro Fernando Morais, e fala sobre um grupo de agentes cubanos nos EUA. Por isso, a imprensa estrangeira que bate ponto no evento italiano fez paralelos entre o filme e “Marighella”, um thriller político ainda inédito que Wagner dirigiu. Para esta produção da Globo Filmes, ele escalou Seu Jorge para viver o poeta e guerrilheiro Carlos Marighella.

“Cuba foi a referência para as revoluções sul-americanas dos anos 60 e 70, e Marighella fez parte desse movimento. Cuba e o Vietnã foram nossas inspirações. Mas preciso admitir que, ao dirigir ‘Marighella’, o Assayas foi uma inspiração para mim. Há um projeto dele para a TV, ‘Carlos’, com o meu colega aqui, Edgar Ramírez, do qual chupei uma cena descaradamente. Devo admitir”, disse Wagner ao Gshow.

História real

Alvo de uma recente homenagem no Sanfic, o Festival de Santiago, no Chile, o intérprete do polêmico Capitão Nascimento (de “Tropa de Elite”) foi elogiado nas conversas entre os críticos de Veneza por seu desempenho em “Wasp Network”. No Brasil, o filme abrirá a 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que ocorre de 17 a 30 de outubro.

Rodado em Cuba e nas Ilhas Canárias, o longa narra a história real de agentes cubanos em solo americano e revela os tentáculos de uma rede terrorista na Flórida com ramificações na América Central e com o consentimento do governo dos EUA. Nos anos 1990, quando grupos terroristas realizaram ataques em Cuba, o governo cubano enviou agentes que se infiltraram nessas organizações.

“Fernando Morais ficou cerca de dois anos em Cuba entrevistando os envolvidos nessa operação”, disse Rodrigo Teixeira, que concorre ao Leão de Veneza também com “Ad Astra”, sci-fi com Brad Pitt.

“O Fernando me procurou há uns oito anos com essa história, mas, na época, eu não tinha meios de realizá-la, o que mudou quando o Charles Gilbert, produtor do Assayas, aproximou a gente, pedindo um projeto para ele”, revelou.

Fernando Morais

Ganhador do prêmio de melhor diretor em Cannes, na França, em 2016, com o “Personal Shopper”, Assayas é hoje um dos mais políticos diretores da Europa, com boa aceitação de público e crítica dentro e fora de sua terra natal, França.

Todo o respeito de que desfruta parece ter se ampliado pela boa acolhida a “Wasp Network”, no qual ele funde imagens de arquivo com situações dos anos 1990 recriadas na Havana dos dias atuais, tudo isso com uma fina ironia. A narrativa parece um almanaque, explorando com tensão e humor detalhes dos planos mirabolantes dessa esquadra desarmada de “007s” de Cuba. “Muito do que criamos veio do livro de Fernando, mesmo não tendo usado a narrativa dele”, disse Assayas.

“O Rodrigo Teixeira me oferece, com a chance de poder adaptar esse livro do Fernando Morais, a possibilidade de fazer um tipo de thriller que os americanos não seriam capazes de fazer nunca”, disse ele, que continuou:

“Tem muito cineasta interessante lá nos EUA, como por exemplo, a diretora Kelly Reichardt (conhecida no Brasil por ‘Movimentos noturnos’), cujo trabalho é muito interessante. E você tem mestres como Martin Scorsese, que pode fazer um filme atrás do outro, e um mais impressionante do que o outro, pela grife que é. Mas existe lá a convenção do espetáculo”.

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