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Cristina Nunes de Santana discorre sobre a importância do direito de Voto

VOTE!

Por: Cristina Nunes de Santana#

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Não abdique de fazer valer um direito. Não abdique igualmente de respeitar um dever: ser responsável por você mesmo e suas escolhas
O Brasil vota domingo, dia 15 de novembro, para prefeitos e vereadores. Neste ano atípico e triste, em que somos mais de cinco milhões contaminados por uma gripezinha, gripezinha que matou, até hoje, mais de 164 mil pessoas é mais importante do que nunca votar. O voto, embora muitos insistam em negar, é instrumento de poder e de mudança. Sobretudo nas casas legislativas. É ali que leis vigoram e deixam de vigorar. É ali que se mudam destinos. Ali, onde estão os nossos representantes. Os representantes que escolhemos para eleger.
Votar é um direito. E também um dever. Direito porque em democracias há direitos. Dever porque precisamos nos responsabilizar por nossas escolhas e decisões, antes e depois do voto. E isto é também do jogo da democracia. Principalmente a nossa, ainda jovem. Mesmo os que preferem votar nulo, branco ou não votar, fazem escolhas. Ou melhor, elegem suas escolhas. E toda escolha eleita tem consequências que costumam perdurar para o bem e para o mal por muito tempo.
Gostaria de lembrar uma eleição antiga em nosso país, entre Rui Barbosa e o marechal Hermes da Fonseca, que ficou conhecida como a Campanha Civilista. Afonso Pena havia morrido em meio à sua gestão, em junho de 1909. O vice Nilo Peçanha assumira. São Paulo, Minas e Bahia não queriam um candidato militar qualquer que fosse, que sucedesse Nilo Peçanha. Muitos civis de muitas outras regiões também não. A República decepcionara as expectativas de vários. A República, oriunda de um golpe, em 1889, com Deodoro da Fonseca, primeiro, e com Floriano Peixoto, depois, havia desencantado muitos corações e se tornara, precocemente, Velha.
Pois bem: com a Campanha Civilista, em 1910, pela primeira vez, o povo foi às ruas participar e opinar. Médicos, engenheiros foram votar. Quem pudesse votar também foi. Houve considerável participação naquela Campanha Civilista. Foi um espetáculo quase que democrático naquela República Velha e positivista. A Civilista representou a primeira luta democrática do período republicano, segundo o historiador Hélio Silva.
Mas vou dar logo spoiler: Não venceu Rui. Rui nem mesmo conseguiu votar. Ele, Pinheiro Machado e Quintino Bocaiúva e outras tantas gentes, tampouco. Muitas zonas eleitorais estavam fechadas. Simplesmente não abriram. Rui Barbosa percorreu inúmeras. Nas abertas, capangas chamados de cabos eleitorais, surrupiavam urnas logo cedo. Agentes do correio sumiam com as atas.
Votava-se, censitariamente, assim: apresentava-se o título eleitoral, e o eleitor votava na frente de todo mundo e todo mundo via em quem ele votava. Cabine???? Nem pensar. Bem do ladinho do eleitor ficava o cabo capanga eleitoral da situação. Se fosse constatado que o eleitor votara na oposição, e que naquela zona eleitoral a oposição tinha possibilidade de ganhar, sem problemas: urnas e atas com assinatura dos eleitores sumiam como que por obra da feitiçaria, para aparecerem, em seguida, já nos locais de apuração, com o resultado que dava vitória à situação. Quanto ao eleitor do candidato da situação? Bom, já ouviram falar em voto do cabresto? Isto porque o povo só votava quando permitiam que votasse. Quando o deixavam votar, conforme nos conta Hélio Silva em sua História da República do Brasil.
Rui não desistiu fácil do resultado, contudo: foi ao Senado reclamar, escreveu artigos, apresentou provas e, nada… Ficamos por isto mesmo, apesar de os grande centros terem conseguido consagrar Rui como vencedor. Nos rincões do país deu Hermes da Fonseca, na cabeça. Presidente que ficaria sendo conhecido em sua gestão por Dudu Urucubaca.
Desde então, progredimos muito. Apesar de haver carpideiras de plantão que pregam contra urna eletrônica. Talvez prefiram o voto a descoberto, atas alteradas e resultados, idem. Além dos capangas cabos eleitorais, brilhantemente descritos por Lima Barreto, alcunhados de Borbas-de-Bode.
Da campanha civilista para cá, foram-se 110 anos. E domingo, dia 15 de novembro, graças ao triunfo da democracia, aos que vieram antes de nós e que conquistaram um país democrático para nós, iremos votar. Uma cabine nos espera e uma urna eletrônica também. Mesários não sumirão com nosso voto, cabos capangas eleitorais não vão fazer mágicas para que ele desapareça. Nem mesmo nos ameaçar. As seções eleitorais estarão abertas à nossa espera.
Todo este espetáculo da democracia, graças a nós mesmos também — na condição de eleitores —, estará lá onde expressaremos nossa escolha pelo voto secreto, no escondidinho da cabine eleitoral.
Isto se chama poder. O poder do voto de muitos que nos antecederam e lutaram para que no domingo possamos votar livremente em quem julgarmos de nossa predileção. Poder que temos e que insistimos, entra eleição, sai eleição, em ignorar. Este poder tem nome. E sobrenome: Processo Eleitoral. Também conhecido como a vitória da democracia, que nos presenteia com o poder de eleger nossos representantes e nossas opções partidárias. Vão dizer que não é poder pra caramba???

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